É inegável que o Jardim Botânico de Curitiba é o um dos cartões postais da cidade e de fato, ele é encantador. Eu o visitei em meados de julho com uma amiga querida e pudemos ver um caminho de cerejeiras, já começando a perder as suas flores. Sendo um lugar tão conhecido, ele é bastante visitado e vi circularem ali casais, crianças em excursão escolar e claro, muitos turistas.
A grande estrela é a estufa do jardim e a configuração espacial direciona o olhar do visitante para ela, como se houvesse todo um caminho mágico a percorrer.


Porém, assumo que a estufa foi uma decepção pra mim. Super lotada, o que vimos lá dentro foi uma dúzia de plantas e flores mortas. Uma tristeza, né? Não sei se foi algo pontual, mas de fato estava um tanto quanto desanimador. Além do que há uma série de pessoas, entrando e saindo da estufa, o que faz com que você tenha se valer um pouco mais da paciência para aguardar e conseguir observar melhor. Em tempo, ao subir as escadas da estufa é possível ter uma vista bem bacana do Jardim Botânico como um todo.


O que de fato valeu a pena, para mim, foi explorar o Jardim das Sensações. Pouco conhecido pelo público, ele faz parte do complexo e traz uma proposta distinta. A ideia é percorrer o espaço e explorá-lo de maneira sensorial, se valendo dos nossos cinco sentidos. Foi então, que eu e Mari nos revezamos em levar uma a outra para explorar a vegetação de olhos fechados.
Temos uma relação muito específica com a visão, o que faz com que muito das nossas ações e cultura se baseiem nessa percepção. Fechar os olhos é um gesto simples, que realiza uma quebra na nossa percepção no espaço e faz com que precisemos reelaborar nossas experiências. Sentir o solo, perceber a distância que percorremos mesmo que em apenas um passo, observar os sons outrora não percebidos e ao tocar, sentir texturas que nos repelem ou nos acolhem. De fato, foi um exercício para tomar consciência dos nossos cinco sentidos e isto fez a experiência ser tão incrível. Através do toque e do cheiro, brincamos de identificar as plantas e flores, o que ativou memórias muito gostosas da infância. Aquele cheirinho de lavanda, de hortelã, de boldo e por aí vai. Aproveitei e conheci novas espécies e texturas, como sentir cascas de árvores e ver outras espécies de samambaias. E que delícia terminar ouvindo o som de uma queda d’água. Vocês gostam deste tipo de experiência?




Por fim, um espaço bem bacana para estender a canga e curtir um fim de tarde, com um piquenique, é o lago.

+ Informações
Jardim Botânico de Curitiba & Jardim das Sensações
Rua Engenheiro Ostoja Rogunski, 690, Jardim Botânico
Horário de atendimento: de terça-feira a domingo, das 9h às 17h.
Entrada gratuita