Convidamos a bióloga Thaís Amaral a compartilhar a sua experiência como viajante no Egito, pensando todas as implicações que esse processo tem enquanto mulher brasileira em um país culturalmente distinto ao nosso.
Por Thaís Amaral, bióloga
Eu queria ter forças pra descrever tudo que esse tempo viajando sozinha num país tão muçulmano e frenético como o Egito tem me trazido, e tudo que isso tem me feito revisitar.
Todos meus conceitos e preconceitos sobre mim e sobre a cultura do outro. Sobre o tanto que me refleti como brasileira, latina, bióloga, branca, mulher.

As mulheres que me marcaram
Apesar de tudo de tão difícil que me aconteceu com os homens daqui, o que mais me marcou nessa viagem foram elas. Sempre elas. Cobertas… de luta. Vendendo batom no vagão feminino do metrô. Cobertas de sonhos, de risos, de mensagens no WhatsApp, de fofocas, de maquiagem, de moda, de vaidade. Cobertas parece até das mesmas coisas que nós, ocidentais brancas e feministas, gostamos de nos vangloriar. Cobertas de vergonha, tantas delas, ao me pedir uma selfie nos momentos em que eu não estava coberta.
O machismo no Egito
Logo nessas horas em que eu achava que estaria incomodando, elas me queriam mais perto. Não tô dizendo que algo aqui tá certo ou errado de forma binária e simplista; somente que eu me vi e me senti numa posição de entendimento que nunca achei que fosse estar. Isso inclui o modo como o machismo daqui me afetou de uma forma completamente diferente do machismo brasileiro, por exemplo, e da relação que isso tem com o modo como a mulher é socialmente vista e tratada aqui.

O Egito como descoberta
Digo do cuidado ao olhar a outra e suas reais necessidades, ditas da boca dela e não da nossa. Do modo como sentimos calor e amor de formas diferentes. Da alteridade e do contraste. Dos olhares. E de, com isso tudo, mais do que nunca ter me sentido, completa e absurdamente: descoberta.

“Saber cuidar de você mesma”
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Muito interessante ter essa visão de como uma viagem para mulheres no Egito tem outros olhares, preocupações e experiências. Já vou compartilhar seu post com algumas amigas que querem muito conhecer o Egito. Adorei
Lindo post, uma olhar muito delicado sobre as mulheres no Egito. Fiquei curiosa sobre como foi a relação com o machismo. Já escreveu sobre isso?
Como é bonito ver o olhar lançado para o outro de forma respeitosa. Esse retrato das mulheres do Egito e essa força aparentemente oculta é realmente bem marcante.
Muito interessante! Eu nunca viajei sozinha e quero muito ter essa experiência e encontrar conteúdos como esse me encoraja muito! Obrigada por isso! E fiquei curiosa pra saber mais como foi essa vivência no Egito!
Que demais este relato. Adorei saber mais sobre o Egito e suas mulheres. A diferença cultural do mundo é gigante. Viajando e aprendendo!
Eu enquanto mulher também tive experiências menos positivas no Egipto. Achei uma sociedade muito machista e conservadora e, em alguns lugares, perigoso mesmo. Me senti com medo várias vezes. Acho bom partilhar essas experiências.
Eu fiquei muito incomodada sendo mulher no Egito. Mas que bonito ver como você enxergou o outro lado do machismo no Egito, e que a força e união dessas mulheres (mesmo que silenciosa) te cativou. Gostei do texto!
Eu sou LOUCA pra conhecer o Egito e AMO viajar sozinha, mas fico adiando ir pro Egito pq sempre ouvi q eh complicado demais viajar por lá sendo mulher… Uma pena… Mas ainda assim, algum dia eu vou, com certeza!
Eu adoraria visitar o Egito, mas sempre tive uma mistura de encantamento e medo. Gostei de ler o seu relato sobre as mulheres no Egito e as diferenças entre as mulheres do local e as visitantes!
Afinal, viajar para mim é isso! Refazer o nosso olhar pelo que vemos e vivemos nas culturas dos países que nos recebem. É não qualificar nada de modo simplista, preto ou branco, certo ou errado, mas aprender sem julgamentos, refletir, voltar para casa e me tornar um ser humano melhor.